Por: TIAGO FRANÇA
Disfunção têmporo-mandibular (DTM) é uma patologia que acomete cada vez mais os brasileiros. Segundo levantamentos feitos pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), no Estado, cerca de 60% da população apresenta algum sintoma desse mal – mais de 2,2 milhões de pessoas, dos cerca de 3,8 milhões de habitantes de todo o território paraibano. O grande problema é que nem sempre o paciente sabe que sofre do distúrbio.
A DTM é uma disfunção que ocorre na articulação da mandíbula, responsável pela abertura e fechamento da boca. Dentre os principais sintomas estão dores musculares, articulares, zunidos e dores no ouvido e na cabeça, otite, limitação na abertura da boca, inchaços na face ao lado da boca, surdez momentânea, ruídos articulares, além de dores na nuca e ao bocejar.
O principal causador da disfunção é o mau relacionamento dos dentes com a mandíbula. Apesar de não apresentar etiologia bem definida, acredita-se que o estresse seja outro fator desencadeante. Doenças sistêmicas ou hormonais, bruxismo, má-postura, má-oclusão e hábitos como roer unhas, mastigar caneta, abrir tampas de garrafa com os dentes e mastigar de um lado só também contribuem para o aparecimento da disfunção.
De acordo com a cirurgiã dentista Cassandra Gomes de Lima: “Muitas pessoas vão ao otorrinolaringologista com fortes dores de ouvido, mas nem sempre os problemas estão relacionados a essa área”.
“Em alguns casos, os sintomas se assemelham aos de otite, mas, mediante diagnóstico, é detectada a disfunção mandibular”, ressaltou.
“A perda do primeiro molar superior pode contribuir para o desenvolvimento do problema. A falta deste dente causa a desestruturação dentária, provocando a oclusão (pessoa dentuça)”, acrescentou.
A dentista recomenda que, assim que aparecerem os primeiros sintomas, o paciente procure logo um especialista.
“Geralmente, os pacientes sentem fadiga no músculo da face e dor ao bocejar. Estima-se também que 38% das dores de cabeça têm alguma relação com a DTM. Quando qualquer desses sintomas iniciais surgirem, é aconselhável que o paciente procure logo um dentista”, recomendou a odontóloga Cassandra Gomes, que afirmou que em seu consultório, mais da metade dos pacientes chega com algum sintoma da disfunção.
A professora doutoranda em dentística da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Ana Isabela Arruda Meira Ribeiro, informou que existem três tipos de disfunção têmporo-mandibular: leve, moderada e severa. A prevalência maior, segundo a estudiosa, é da DTM leve.
“Dos cerca de 60% das pessoas que sofrem do distúrbio, a maioria apresenta uma forma leve da patologia”, disse.
“O grande problema é que nem sempre o paciente sabe que está com DTM”, assinalou Ana Isabela Arruda.
O problema é fácil de ser constatado, através de uma simples observação clínica do dentista, ou nos casos mais complexos, com a realização de radiografia ou ressonância magnética. Se não tratada adequadamente, a disfunção pode ser acentuada com o avançar da idade. O percentual de 60% dos habitantes que sofrem de DTM no Estado segue a média nacional.
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