Publicado em 21.10.2009
O adolescente de 17 anos, que é deficiente mental, teria de extrair só dois dentes. Odontólogo identificou doença óssea e arrancou todos sem consultar família
BRASÍLIA – Um jovem de 17 anos, deficiente mental, foi a um hospital da rede pública do Distrito Federal extrair dois dentes, mas o cirurgião-dentista que o atendeu arrancou seus 28. A denúncia foi feita pela mãe do garoto, Maria Oliveira, e levou a Secretaria Estadual de Saúde a afastar anteontem o dentista e a chefe da área odontológica do Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), no Plano Piloto.
A mãe conta que o filho, César Oliveira Ferreira, precisava tirar dois dentes e teria ficado muito nervoso durante uma tentativa de extração no consultório dentário. Por isso, acabou encaminhado ao hospital, onde recebeu anestesia geral. A decisão de extrair todos os dentes teria sido tomada pelo dentista durante a cirurgia, em 24 de setembro. “O que eu quero é meus dentes de novo. Não posso ficar sem meus dentes”, disse ele ao DFTV, da Rede Globo.
Aluno da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), Ferreira teria deixado de ir à escola por vergonha. A mãe quase vai as lágrimas ao falar do sofrimento do filho. “Se ele tinha uma patologia ou não na arcada dentária, o dentista tinha que ter me comunicado. Ele tinha que saber se eu aceitaria o procedimento”, criticou Maria Oliveira. “Se houve um erro, tem que ser reparado esse erro. Já que existe a justiça divina e a do homem, ela tem que ser feita. É isso que eu quero”, frisou.
O caso está sendo investigado em diversas frentes: Polícia Civil, Ministério Público, Conselho Regional de Odontologia e governo estadual. Para o presidente do conselho, Julio César, o dentista cometeu, no mínimo, uma infração ética ao realizar as extrações sem consultar a família do rapaz.
A Secretaria de Saúde não divulgou o nome do cirurgião-dentista. Ele corre o risco de perder o emprego, o registro profissional e de ser processado civil e criminalmente. O conselho já decidiu abrir processo ético.
“É um fato gravíssimo. Estamos todos chocados. Entretanto, no Estado democrático de direito, é preciso haver um processo e amplo direito de defesa”, declarou o subsecretário de Saúde do Distrito Federal, Fernando Antunes, informando que a investigação será concluída em 60 dias.
A secretaria e o conselho anunciaram a intenção de custear um tratamento de implante para recuperar as arcadas dentárias do rapaz.
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